Eleições
Eu tinha pensado em abordar esse assunto antes das eleições, mas, além de ter faltado tempo, talvez seja mesmo mais conveniente só falar disso agora.
Bom, as eleições passaram, pelo menos na minha cidade, onde não haverá segundo turno. E devo dizer que estou muito aliviado por isso. Já não agüentava mais aquele clima de campanha! Aquela sujeira toda nas ruas, a sensação de que a qualquer momento estoura uma guerra, o fato de não conseguir andar uma quadra sem ficar com as mão cheias de papel inútil, ser abordado a todo momento, todos tentando "vender seu peixe" e, o pior de tudo, a poluição sonora! Não havia uma lei limitando o volume dos carros de som? E eles não estavam proibidos de passar a menos de 200 m de hospitais? Não vi nada disso ser respeitado. E detesto som exageradamento alto, mesmo sendo música boa. Sendo jingle de campanha, então... Sem falar no quanto atrapalha no serviço, por exemplo, quando você está tentando falar ao telefone, e não consegue ouvir seu interlocutor, porque tem um maldito carro de som tentando te empurrar um candidato goela abaixo. Que bom que isso acabou!
E a você que foi mesário: meus parabéns, pois devo reconhecer que você tem uma fibra (ou paciência) que eu não tenho. Este é um dos aspectos mais antidemocráticos do processo eleitoral. Parece justo fazer uma pessoa trabalhar de graça em pleno fim de semana???!!! "Ora, mas o mesário tem direito a folgar depois", dirão muitos. Nesse caso, quem está pagando o pato é o empregador, que também não tem nada a ver com isso, portanto, continuo achando injusto. Algo que, apesar de parecer mirabolante, me pareceria mais justo seria responsabilizar os partidos envolvidos na disputa pela remuneração dos mesários. Sendo obrigados a destinar parte da renda que seria destinada à campanha para o pagamentos dos mesário, certamente não cometeriam os excessos absurdos que vemos, e sobrariam mesários. Pode parecer utopia, mas é uma opinião.
Outro ponto antidemocrático é a obrigatoriedade do voto. Tudo bem, concordo que, se dependesse da vontade do povo, quase ninguém votaria. Mas isso é um traço da (falta de) cultura da nossa população. Seria mais lógico estimular a mudança e a formação de opinião do que simplesmente obrigar as pessoas a exercer um direito. Ou seja, voto é um dever, não um direito.
E por que não se pode falar em votar em branco sem ser taxado de "alienado político"? Durante a campanha, optei por responder sempre da mesma forma aos questionamentos acerca de minha escolha: vou votar em branco. A idéia era evitar os confrontos ideológicos com pessoas que tentam simplesmente impor sua opinião. Ledo engano. Os "sermões" que eu ouvia eram piores. "Você vai abrir mão do seu direito?", me perguntavam. Eu precisava segurar o riso ao ouvir isso. Li em algum lugar: "Se você precisa fazer uma escolha, e não a faz, isso em si já é uma escolha". Ao escolher votar em branco, estou exercendo meu direito de escolha. Ou melhor, cumprindo meu dever de escolha. Mas, afinal, não votei em branco. Fiz minha escolha, apesar de ser completamente apartidário. Voto em projetos, compromissos e fatos, e não em partidos ou mesmo pessoas. Apenas escolhi não compartilhar minha escolha, porque, por mais que tentasse me manter imparcial, sempre tem um fanático que vê uma simples manifestação de opinião como uma defesa de partido e, conseqüentemente, uma oportunidade de impor sua escolha (ou justificar seu salário, vá saber...). Não funcionou. Pelo menos, não como eu esperava.
Bom, onde tem segundo turno, o show continua. Só posso sugerir calma e sabedoria aos eleitores que ainda precisam fazer sua escolha. Não tenha medo de aplicar sua escolha, seja ela qual for.
Infelizmente, não consigo ser mais otimista que isso. Aliás, tenho repetido muito uma frase. Acho que, do jeito que está nossa política, o que melhor define a situação do eleitorado nas eleições é o slogan do filme Alien vs Predador: "Não importa quem vença, nós perdemos".
E viva a democracia! Ainda que sejamos, tão monarquicamente, obrigados a exercê-la.
Escrito por Marcio Silva às 21h28


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